See No More

Capitulo único


Joe´s pov


Sexta feira, 03:00 da manhã, Manhattan. Estou meio bêbado,
cansado da minha vida, das pessoas me julgando pelos meus atos, de meninas de
13 à 19 anos gritando, chorando, sonhando e suspirando por mim como um objeto.


Estou cansado de tudo aquilo de ruim que eu ganhei , o lado
negativo da fama. Minha mãe se preocupa comigo, ela sabe que perdeu o controle
sobre o filho bem criado que ela pôs no mundo. Meus irmãos seguem com suas
vidas...talvez só o caçula siga meus passos, ele já vem demonstrando essa
mudança também.


O que aconteceu com a gente? Onde foi que eu deixei de
querer coisas simples? Fico imaginando se eu já não era assim... meio vazio por
dentro, sem um enorme sorriso no rosto...e aquele anel da pureza?


Olhei ao redor daquele bar mal frequentado e pouco iluminado
torcendo pra que ninguém me reconhecesse. Afinal um blusão e um boné não
impediria de ser reconhecido.


-O bar fecha em vinte minutos – uma mulher atrás do balcão
disse pra mim.


Ela tentou sorrir mais acho que minha melancolia afastou
ela.


-Sinto falta de uma mulher de verdade. – eu disse mais
rápido que pude processar a ideia.


-Desculpe, não entendi. – a garçonete se virou pra mim,
agora curiosa.


-Esquece. – eu disse e joguei 200 pratas no balcão.


Quando me levantei ela segurou minha mão.


-Você precisa de ajuda, a pergunta é : você quer ser
ajudado?


Fique pensando no que ela disse e no que ela acha que pode
está se passando comigo.


-Pode pelo menos revelar seu rosto? Gosto de conversar
olhando nos olhos.


-Desculpe mais prefiro não me mostrar.


-Tudo bem senhor X, posso chama-lo assim, certo?


Contorci meus lábios em um sorriso torto que ela não viu,
ela continuava guardando os copos .


-Ok senhor X, oficialmente o bar está fechado e só tem três pessoas
aqui. Eu me chamo Danica, sou a dona do lugar e o armário ali é Shane, o
segurança e meu amigo. O que contar aqui ficará aqui.


-O que te faz pensar que eu tenho algum problema? – quis
saber.


-Meu bar. – ela respondeu.


-Como é? – agora era eu quem estava curioso.


-Todas as pessoas que vem aqui tem problemas emocionais
enormes, posso dizer o problema de cada um que esteve aqui e posso dizer todos
os conselhos que dei. Acho que eu sou um tipo de para-raio pra esse tipo de
gente.


Ela riu e saiu de trás do balcão sentando ao meu lado.


-Acho que você deveria me acompanhar no suco. Qual a sua
fruta preferida?


-Não sei.


-Então vai ser pêssego.


Ela foi até a cozinha, eu acho, e voltou com dois copos
coloridos com seus canudos de guarda-chuva.


-Sr X , um brinde a mais um dia de nossas vidas! – ela
propôs.


Ergui o copo que ela me ofereceu e dei um gole.


-Pode se abrir comigo. – ela disse encarando seu canudinho.


-Eu estou cansado, solitário.


-Solitário no sentido de solteiro ou no sentido de sozinho?



-Acho que as duas coisas.


-Hum...- ela limitou-se a responder.


-Era sábado quando recebi um certa ligação, aquilo mudou a
minha vida naquele momento. – eu disse e me calei lembrando as palavras que
ouvi e o baque que senti.


-Mulher?


-Sim.


-O que houve?


-Nos apaixonamos e um dia ela simplesmente se afastou de
mim, disse coisas sem sentido pra justificar sua frieza e seu afastamento, ela
simplesmente me abandonou. Me senti fraco, diminuído, incapaz. Era como se
nosso amor não fosse real.


-O que você fez? Tentou lutar por vocês? Tentou descobrir o
motivo pra ela desistir de tudo?


Doeu pensar naquilo...mais a resposta era a navalha que
cortava meus pulsos. – Não. Só disse que seríamos bons amigos , acho na hora eu
fiquei chocado mas depois...eu não tinha pensado direito, não havia notado que
era um até algum dia que estava prestes a virar um adeus.


Me remexi inquieto com a enxurrada de lembranças de nossos
momentos felizes. Eu sentia a sua falta.


-Essa aparente frieza me fez ver que eu não queria esperar
por ela. – disse brincando com o meu copo já vazio. – Depois de um tempo, com a
minha vida agitada percebi que ela era o ultimo pensamento antes de deitar e o
primeiro ao levantar.


-Então você a ama?


-Eu não sei a profundidade disso.


-Meu caro sr X , seu caso é grave porém não impossível.


Não acreditava naquela confiança toda de Danica, ela não
podia ser tão confiante no meu caso.


-O que me perturba é que eu a vejo em todos os lugares, nas
coisas que me rodeia, suas lembranças me invadem e a imagem dela é tudo o que eu
vejo...- suspirei – mas eu não quero mais ver.


-E porque?


-Ela tem outro.


-Hum...entendo, faz muito tempo desde que romperam?


-Meses.


-E o cara novo?


-Semanas.


-Ao menos sabemos que ela não te traia.


-Prêmio de consolação.


Rimos sem humor.


-Eu costumava ser mais independente nessas coisas do
coração, já terminei tantos outros romances e não me abalei...mais ela...


-Você apenas percebeu que a ama mais do imaginava, que você
é dependente dela. – Danica disse calmamente – o que vai fazer?


-Tenho vontade de ligar pra ela.


-Vai dizer o que?


-Que a quero de volta! – disse com o peito inflado de
esperança. – que não vou olhar para trás.


-Tá esperando o que então?





Nota Da Autora:

Espero ter agradado!! na minha humilde opnião essa música não foi feita para uma única ex-namorada do Joe. Ele misturou sentimentos e momentos que ele viveu com todas elas.


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